quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

"O amor não é um super poder.."

Tem horas que eu acho que as pessoas esperam demais do amor. Seja qual for o tipo de amor que esperam – romântico ou fraterno – todos colocam nele poderes que jamais teve. Nem tudo é amor e nem tudo que é nobre é necessariamente amor. O amor não é um super poder.
Muito pelo contrário, a cada dia tenho percebido e me convencido que o amor está mais para responsabilidade do que para prazer. Ou, sendo menos pessimista, é um prazer que vem mediante alguma responsabilidade. Aquele lema espiritual que diz que é preciso dar para receber vale para tudo na vida, e com o amor não seria diferente. Amornão é algo gratuito, que só se recebe. Você precisa fazer a sua parte. Você precisa amar para ser amado. Essa é a lei. A vida é boa, mas não é tola.
Dizem que Deus é amor. Dizem que o amor é o que dá vida aos seres. Dizem que sem amor não se vive.
Exagero!
Tem muita gente no mundo vivendo sem amor. Agora deixe-as alguns dias sem água.
Comparar atos de grandeza com amor, confere-lhes algum status de nobreza desprendida. Mas, convenhamos, não podemos, por exemplo, esperar que as pessoas tolerem as diferenças entre os povos em nome do amor. Tolerância e amor não são necessariamente a mesma coisa. O judeu mais aberto e compreensivo sempre vai ver com ressalva o ato de “amar” – fraternamente – seus irmãos palestinos. Tolerar é agir sensata e inteligentemente, nem sempre éamar.
Isso quando não confundem sexo com amor. Não que não sejam a mesma coisa. O sexo  nada mais é do que a manifestação física do sentimento. Mas ele – o sexo – não é a única forma de amor. Não dá pra nivelar por baixo, se é que sexo seja uma manifestação inferior de amor. Talvez não seja nem inferior, nem superior e sim, apenas mais uma forma deste sentimento ansiado, o amor, e como tal, muito válida.
Também confundem a ardência da paixão com o calor do amor. Casais apaixonados dizem “Eu te amo” porque sentem como se fosse amor. Gostariam mesmo, do fundo do coração, que o que sentem fosse o mais nobre sentimento. Também porque é mais fácil dizer, repetidas vezes (e como sentimos mesmo essa necessidade de repetir)  Eu te amo, do que “eu estou apaixonado por você“. E depois de algum tempo, “eu estou apaixonado por você” será insuficiente, afinal, querermos ser intensa e profundamente amados, mesmo que mal saibamos o que é esse tal de amor. E se soubessemos, bem, quem sabe não fizéssemos tanta questão…
Também dizem que perdoar é amar. Talvez algumas atitudes, ou sentimentos realmente derivem do amor, mas são sentimentos distintos. E pior do que achar que perdão é sinônimo de amor, é achar que amar é engolir sapo dos outros, ou seja, se renunciar pelos outros. Equívoco total.
Shakespeare e o apóstolo Paulo exaltaram o amor e o colocaram em níveis distintamente divinos (ao final deste texto seguem dois textos dos respectivos autores divinizando o amor). Suas inspirações foram realmente magníficas, mas contribuíram para a ilusão de bilhões de pessoas que assumiriam suas formas equivocadas de encarar esse sentimento, nobre sim, mas onipotente, não.
As pessoas querem ser amadas, querem ser aceitas, e quando não conseguem, se renegam. E partem para outro tipo de amor, mais irreal ainda, se é que existe alguma escala de irrealidade nisso: O “amor incondicional” dos bichos. Quer dizer, o engano do auto-engano. Nenhum bicho nos ama incondicionalmente. Deixe de dar comida pro seu cachorrinho pra ver se ele vai continuar te amando incondicionalmente. O amor dos bichos é sim sincero, honesto e puro. Mas não é incondicional. Porque tem algo que talvez você precise saber:

Não existe amor incondicional

Se você espera, ainda, por amor incondicional, reveja essa sua postura um tanto… narcisista. O amor, como tudo na vida, é TROCA. Nem Deus nos ama incondicionalmente, afinal, ei, temos que ser bonzinhos, lembra? Senão vamosarder no mármore do inferno.
Não tem jeito, leitor e leitora, você vai ter que dar, para poder receber...
Um Beijo em Seu Coração...

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